Pôr do Sol na Pousada Natureza

“... A sede está localizada na Ilha de Cairu e é dividida em cidade alta, onde a cidade nasceu, e cidade baixa. Na cidade alta existem alguns prédios com importância histórica, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1610) situada numa elevação voltada para o Convento de Cairu. Do alto, descortina-se uma belíssima vista da região. Baixas, as casa do entorno formam um agradável conjunto. Não se pode deixar de ver as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Dores, São José e São Miguel. São também muito bonitas as janelas conversadeiras da sacristia, feitas de cantaria de arenito. Há, ainda, sobrados com dois pavimentos com sótão e, na entrada da cidade, o prédio da antiga prefeitura, possivelmente do final do século XVIII.

Erguidos onde existia uma pequena ermida de invocação a Santo Antônio, estão a Igreja e o Convento de Santo Antônio, cuja fachada, precedida de cruzeiro de pedra está voltada para o braço de mar que separa as ilhas de Tinharé e Boipeba. Do lado esquerdo da Igreja de Santo Antônio ficam as ruínas da capela-mor da Ordem Terceira, que nunca chegou a ser concluída. O início da construção desse convento, erguido pelos Capuchinhos, remonta a 1654 e um conjunto precioso de azulejaria portuguesas dos séculos XVII e XVIII existe até hoje. Dos mirantes existentes no primeiro andar se descortina uma bela vista do mar e do campo.

No início do século XVII, os franciscanos que receberam, por doação, a sesmaria das doze léguas de Camamu, construíram em Cairu a Residência de São Francisco Xavier (Galeão – 1623) e a Igreja de Santo Inácio.

No início do século XVIII, a exploração das matas passa a rivalizar com a produção de farinha na região. Cairu era um tradicional fornecedor de farinha para a capital. É interessante citar que, durante três décadas, Cairu contribuiu financeiramente para reconstrução de Lisboa, arrasada por um grande terremoto em 1756. Data dessa época o surgimento de quilombos criados por negros fugitivos. Em 1870, o corte da madeira era tão intenso e gerava tantos lucros que o governo precisou tirar a função de Juiz Corregedor das Matas para deter a exploração predatória descontrolada. Vinte anos mais tarde, dada à ineficácia dessa medida, a Coroa resolveu tombar o que restava das matas, pra estancar a exploração de madeiras nas ilhas.

O município de Cairu é dotado de boa infra-estrutura turística, com hotéis, pousadas, restaurantes e atracadouro para saídas de barcos fretados para Valença, Boipeba (o percurso demora 40 minutos de lancha ou 2horass de barco) e outros destinos do Canal de Taperoá. Orlada por manguezais, Cairu não possui boas praias para banho. O coco e a piaçava são os elementos básicos do artesanato que, juntamente com a religiosidade, a pesca e a construção naval é um reflexo do passado vivenciado nessas ilhas. Destacam-se ainda as culturas de cravo-da-índia, pimenta-do-reino e guaraná.

Há cerca de 30 anos, a ilha foi ligada ao continente por ponte.

O folclore local mantém viva a lembrança da ascendência indígena, da escravidão, da presença militar, das lutas em defesa da nação, da saudade de Portugal, Espanha, Holanda e Angola. Permanecem muito vivas as representações dos congos, taeiras, dondoca, alardo, zambiapunga, chegança, bumba-meu-boi e barquinha cinza”

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